Category Archives: Núcleos Regionais

GAIA tem estado activo em várias bio-regiões do país através de vários subgrupos.

Relato da Festa da Primavera / Abertura da Sementeca

No dia 1 de Abril, ao sabor de petiscos e doçarias caseiros e ainda sopa da estação, ao som de uma jam session espontânea, e com a animação alegre de voluntariis do teatro, celebrámos a Primavera e a abertura da Sementeca no GAIA Lisboa.  Leonor, dinamizadora da Sementeca, explicou a ideia por detrás das sementecas—são como bibliotecas mas de sementes, a ideia é emprestar sementes e conhecimentos a quem quiser / precisar, na esperança de que quando tiverem reproduzido estas sementes, venham trazer algumas de volta, e apresentou a proposta de funcionamento da sementeca do GAIA. De forma interactiva com o público presente, esta proposta levou refinamentos e foram discutidas multiplas ideias de dinamização da Sementeca.

Para nosso espanto, uma das animadoras de teatro revelou-se também uma conhecedora da preservação de sementes e acabou por dar uma “aula” improvisada aos muitos interessadis!

Ficou também marcada a data do 2º encontro: 6 de Maio. Os encontros pretendem-se regulares e cada um terá sempre um tema associado e convidadis para partilhar experiências e conhecimentos. Para dia 6 de Maio, o tema será a Horta de Verão.

Algumas imagens do 1º encontro da Sementeca:

 

 

 

Sexta-feira 21 de Abril: Jantar Popular de apoio à marcha pela ciência

O que caracteriza a ciência hoje? Que influência exerce nas sociedades? E o que a influencia retroactivamente? Quem são os seus agentes? Uma comunidade que é normalmente silenciosa vai fazer escutar a sua voz, na marcha de dia 22 de Abril. No GAIA, um dia antes, vamos acolher alguns participantes e interessadis na marcha num debate sobre os problemas da ciência e da comunidade científica, abrindo o mesmo aos das relações de trabalho, questões do método, da verdade e da natureza.

Jantamos às 20h e iniciamos a conversa pelas 21h. Se queres vir ajudar a cozinhar e preparar o espaço, aparece pelas 18h!

“Men of Science living in 1807-8”. John Gilbert engraved by George Zobel and William Walker; print,1862

Num mundo e numa sociedade exponencialmente complexificados, no qual sistemas naturais e humanos dão sinal de degradação, o discurso científico ainda tenta afirmar-se e legitimar-se como fonte de conhecimento, por entre teias e pressões, capaz de servir de meio para a emancipação das lutas humanistas.

Às questões internas relativas à unidade da ciência—as suas metodologias, problemas de aplicação técnica—vão adicionar-se os problemas decorrentes das guerras de conhecimento, da dependência de financiamento público ou privado, ou da influência na decisão política das instituições.

Quais são os desafios que a actividade científica tem hoje, e quais são as suas prospectivas? Deverá o discurso científico ter a primazia ou a supremacia sobre os outros discursos concorrentes que se dedicam ao conhecimento e à realização humana? Como defender o estatuto da ciência num mundo em ebulição? Não sucumbirá aos estímulos financeiros das empresas multinacionais que destroem a natureza e as comunidades indígenas? Como poderá contribuir a ciência para os desafios de construir uma sociedade mais justa e equilibrada? O debate estará aberto em torno destas questões, num esforço de não se reduzir a elas, nem reduzir o problema.

** Mais sobre a marcha pela ciência do dia 22 de Abril

O que é o Jantar Popular?
– Um Jantar comunitário vegano, biológico e LIVRE DE OGMs que se realiza no GAIA, Rua da Regueira, n 40, em Alfama.
– Uma iniciativa inteiramente auto-gerida por voluntários.
– Um jantar em que podes colaborar e aprender a cozinhar vegano! Para cozinhar e montar a sala basta aparecer a partir das 18h. Jantar “servido” a partir das 20h.
– Um projecto autónomo e auto-sustentável. As receitas do Jantar Popular representam o fundo de maneio do GAIA que mantém assim a sua autonomia.
– Um jantar onde ninguém fica sem comer por não ter moedas e onde quem ajuda não paga. O preço nunca é mais de 3 pirolitos.
– Um exemplo de consumo responsável, com ingredientes que respeitam o ambiente, a economia local e os animais.
– Uma oportunidade para criar redes, trocar conhecimentos e pensar criticamente.

Em Abril, lutas mil: Jantar Popular sobre as lutas camponesas e indígenas pela vida e pelos territórios

Assina aqui a petição para que seja adoptada uma Declaração da ONU sobre os Direitos dos Camponeses

Na segunda-feira 17 de Abril, dia internacional das lutas camponesas, convidamos simpatizantes e interessadis a participarem num Jantar Popular no espaço do GAIA, na Rua da Regueira 40, em Alfama, Lisboa. Depois do jantar será projectado o filme “Berta Vive” (30″), seguido de discussão com a participação das iniciativas Oficina de Ecologia e Sociedade, Marcha Mundial das Mulheres, NOEs, GAIA e Campanha pelas Sementes Livres.

Em 17 de Abril de 1966, 19 trabalhadores rurais sem terra foram assassinados pela polícia militar brasileira em Eldorados do Carajás, no estado do Pará. Morreram na luta pela reforma agrária e pela justa distribuição da terra.

Em Março de  2016, Berta Cáceres, mulher, indígena, lutadora hondurenha, co-fundadora do Conselho Cívico de Organizações Populares e Indígenas das Honduras (COPINH) foi assassinada, na sequência da sua luta contra projectos extractivistas transnacionais privados em território Lenca, projectos esses apoiados pelo governo hondurenho.

A criminalização dos protestos, as perseguições e a violência sobre camponeses, trabalhadores rurais, indígenas e activistas ambientais é uma realidade diária, especialmente em territórios vulneráveis e cobiçados pelo agronegócio na agricultura, pelos tratados de livre comércio e pelo modelo neoliberal, patriarcal, colonialista de usurpação de terras, exploração de recursos e destruição de territórios e comunidades.

Por tudo isso, aderimos a este Dia Internacional das Lutas Camponesas, 17 de Abril.

Para lembrar, denunciar, questionar e lutar juntis pela justiça ambiental e social!

Programa
18h: Preparação do Jantar. Quem quiser ajudar é bem-vindi!
20h: Jantar.
21h: Projecção do documentário “Berta Vive” (30”) + Debate com a participação de Oficina de Ecologia e Sociedade, Marcha Mundial das Mulheres, NOEs, GAIA e Campanha pelas Sementes Livres.

Traz sementes naturais para a troca e/ou oferta à Sementeca da Campanha pelas Sementes Livres!

O que é o Jantar Popular?
– Um Jantar comunitário vegano, biológico e LIVRE DE OGMs que se realiza no GAIA, Rua da Regueira, n 40, em Alfama.
– Uma iniciativa inteiramente auto-gerida por voluntários.
– Um jantar em que podes colaborar e aprender a cozinhar vegano! Para cozinhar e montar a sala basta aparecer a partir das 18h. Jantar “servido” a partir das 20h.
– Um projecto autónomo e auto-sustentável. As receitas do Jantar Popular representam o fundo de maneio do GAIA que mantém assim a sua autonomia.
– Um jantar onde ninguém fica sem comer por não ter moedas e onde quem ajuda não paga. O preço nunca é mais de 3 pirolitos.
– Um exemplo de consumo responsável, com ingredientes que respeitam o ambiente, a economia local e os animais.
– Uma oportunidade para criar redes, trocar conhecimentos e pensar criticamente.

Festa de Abertura da Sementeca

Está convidad@ para uma celebração sementeira onde se juntam @s idealistas que acreditam que devem existir mais bibliotecas que lojas de livros, mais sementecas em vez de pacotes vendidos, gente que caminha tendo a utopia no horizonte, que luta por um mundo em que as sementes sejam livres, sejam vistas como bem comum e não propriedade privada ou patenteada, gente que acredita que as sementes são para serem germinadas, plantadas, colhidas, trocadas, vividas, amadas e partilhadas!

Aparece Sábado, dia 1 de Abril,  para a abertura da Sementeca da Campanha pelas Sementes Livres, no espaço do GAIA, Rua da Regueira 40, em Alfama.

Se tens sementes que queres doar à Sementeca ou trocar, trá-las contigo neste dia! Se te apetece vir ajudar, aparece, o espaço abre por volta das 11h30.

Programa da tarde:
15h – Apresentação da Sementeca da Campanha pelas Sementes Livres.
16h – Mini-assembleia prática: Como funcionará a Sementeca das Sementes Livres?
17h –  Como recolher e guardar algumas sementes? Exemplos, perguntas e respostas. Com Drica e Pepa da rede Círculos de Sementes!
18h – Partilhamos a abundância: trocas e empréstimo de sementes.
19h – Sopa da Liberdade!

Haverá criatividade e petiscos ao longo do dia!

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A seguir, às 20h30, também em Alfama, na Sociedade Boa União* há filme e debate:
Turismo e habitação em Alfama: projeção e debate, com a população de Alfama, a APPA e Left Hand Rotation.

*Beco das Cruzes, 1100-190 Lisboa.

Somos muit@s, estamos juntos,
em abril, lutas mil!

Assembleias quinzenais do GAIA Lisboa

A assembleia aberta quinzenal do grupo do GAIA Lisboa serve para coordenar as actividades no espaço em Alfama, na Rua da Regueira 40, e para gerir e manter o espaço como local de convívio, de disseminação de informação ecologista e socio-política, de exemplo de auto-gestão e D-I-Y, de inter-aprendizagem e debate, e.o.

Quem estiver interessadi em participar na dinamização do espaço e dos temas ligados à ecologia e justiça, está convidadi para aparecer nestas assembleias. Também quem tiver uma proposta para coordenar uma actividade no espaço ou para uma parceria, estará bem-vindi.

Em Setembro as assembleias retomam e serão publicadas aqui.

Assembleias em Outubro:

4 de Outubro 

18 de Outubro

 

As assembleias começam às 18 horas.

Se houver alguma alteração, avisamos aqui! Em caso de dúvida, contacta-nos  em lisboa@gaia.org.pt

Esta Sexta-feira, 10 de Março, Jantar Popular “Revival Tribunal Monsanto” no GAIA

JANTAR POPULAR NO GAIA: “REVIVAL TRIBUNAL MONSANTO!”
Sexta-Feira dia 10 de Março, Rua da Regueira 40, Alfama, Lisboa – 20h

Foi nos dias 14, 15 e 16 de Outubro de 2016 que cinco juízes internacionalmente reconhecidos, 24 testemunhos dos quatro cantos do mundo, para além de dezenas de investigadores jurídicos sob liderança do Professor Dr. Olivier de Schutter (ex-Rapporteur da ONU para o Direito à Comida), aceitaram o desafio de recolher provas sobre as actividades da empresa transnacional agro-química Monsanto, e de analisar as leis nacionais, internacionais e respectiva jurisprudência existente, com o fim de poder emitir uma opinião jurídica sobre o tipo de crimes de que este tipo de empresas pode ser acusada—contra a humanidade, a saúde pública e/ou contra a natureza—e sobre a possibilidade de poder finalmente processá-las por estes crimes.

Para assistir ao Tribunal Monsanto e à Assembleia dos Povos que teve lugar em paralelo, 750 pessoas representando 30 nacionalidades aterraram em Haia, Holanda. Tiveram o privilégio de em poucos dias ficar a conhecer algumas das personalidades mais conhecidas da luta contra a agricultura industrial e a impunidade das corporações transnacionais como Percy Schmeiser, Vandana Shiva, Valérie Cabanes, Nnimmo Bassey e Ronnie Cummins. Juntos, os participantes fortaleceram seus conhecimentos sobre os desafios que enfrentamos na defesa de uma alimentação saudável e justa, e esboçaram novas estratégias—nacionais, regionais e globais—para enfrentar o paradigma da ganância e da indiferença na agricultura.

O GAIA, em conjunto com a Campanha pelas Sementes Livres, propõe revivermos estes dias intensos, de descobertas boas e más sobre o que se passa no nosso mundo, mas sobretudo da reafirmação da nossa capacidade de vencermos os desafios unindo-nos, sabendo que somos mais tanto em número como em valor humano, e que teremos a última palavra. Estarão presentes algumas pessoas que integraram a comitiva portuguesa em Haia.

Se este nosso convite não vos convenceu, vejam o convite apaixonado da Vandana Shiva, embaixadora da Assembleia dos Povos.

Aparece para jantar connosco e ver, ouvir, e conversar o que foi o Tribunal Monsanto / Assembleia dos Povos, e para saber quais serão os próximos passos a dar!

Jantamos às 20 horas e iniciamos as apresentações e conversas mais ou menos pelas 21 horas. Se queres ajudar a preparar a comida e o espaço, aparece a partir das 18 horas!

Para quem quer aprofundar:
A carta aberta da Vandana Shiva para “iniciar os trabalhos”.
Discursos de abertura e fecho de Tribunal Monsanto proper.
Fotos e videos dos dias do Tribunal e Assembleia.
Quando é que o veredito final ficará disponível.

O que é o Jantar Popular?
– Um Jantar comunitário vegano, biológico e LIVRE DE OGMs que se realiza no GAIA, Rua da Regueira, n 40, em Alfama.
– Uma iniciativa inteiramente auto-gerida por voluntários.
– Um jantar em que podes colaborar e aprender a cozinhar vegano! Para cozinhar e montar a sala basta aparecer a partir das 18h. Jantar “servido” a partir das 20h.
– Um projecto autónomo e auto-sustentável. As receitas do Jantar Popular representam o fundo de maneio do GAIA que mantém assim a sua autonomia.
– Um jantar onde ninguém fica sem comer por não ter moedas e onde quem ajuda não paga. O preço nunca é mais de 3 pirolitos.
– Um exemplo de consumo responsável, com ingredientes que respeitam o ambiente, a economia local e os animais.
– Uma oportunidade para criar redes, trocar conhecimentos e pensar criticamente.

A equipa do documentário internacional Seed Act sobre guardiões e defensores de sementes esteve presente em Haia! Mais aqui

Sexta-feira 3 de Março, Jantar Popular do Gaia, com organização Tribodar: Escola ou Não-Escola: quais as questões?

Sexta-feira dia 3 de Março no GAIA, Rua da Regueira nº40 em Alfama, venham participar no diálogo entre uma experiência de educação doméstica comunitária não-formal e a solidariedade com uma escola pública de qualidade.

O Ensino Doméstico tem conhecido uma grande expansão desde 1960, tomando já a forma de movimento social e apresentando-se como uma séria tendência de privatização da educação.

As motivações são muitas e as formas de organização variam da sala mais tradicional à proposta mais activa, do um para uma ao grupo de crianças e um/uma  docente. A proposta da Tribodar vai mais além e questiona o próprio lugar da escola como um espaço formal de instrução, com um tempo, um espaço e um conteúdo para todas as crianças. É o próprio sentido que está em causa: para quê serve a escola nas sociedades contemporâneas?

No dia em que cada grupo social ou religioso tiver um centro educativo próprio, fundado no seu projecto de sociedade, em nome do que é melhor para as suas crianças, a acção pedagógica tornar-se-á mais coerente e harmoniosa. Mas, pelo caminho, perder-se-á uma das principais qualidades da escola pública, a possibilidade de estabelecer estórias partilhadas e hábitos de diálogo, construindo assim uma base sólida e evolutiva para a construção de práticas de vida em comum. Por outro lado, se a escola pública é uma garantia de justiça social a quem não tem outra alternativa, parece mais atenta às necessidades da própria organização escolar e de um mercado de trabalho capitalista do que às necessidades e talentos das crianças e da sua preparação para uma vida activa com sentido no colectivo.

Esta é uma problemática complexa. Contamos convosco para enriquecer este diálogo, pois é a falar que a gente se entende e aprende em conjunto!

As receitas deste jantar revertem para a associação Tribodar, e a sua campanha de crowdfunding para arrecadar fundos com o objectivo de terminar uma casa ecológica redonda que será o principal espaço de aprendizagem multifuncional. A campanha de crowdfunding começou no dia 6 de fevereiro e durará 40 dias.

Clica aqui para apoiar a Tribodar

Quem quiser vir ajudar é bem-vind@ a partir das 18 horas. Jantamos às 20 h e a apresentação do projecto da Tribodar, seguida do diálogo entre todas as pessoas, começa às 21 h.

O que é o Jantar Popular?

– Um Jantar comunitário vegano, biológico e LIVRE DE OGMs que se realiza no GAIA, Rua da Regueira, n 40, em Alfama.
– Uma iniciativa inteiramente auto-gerida por voluntários.
– Um jantar em que podes colaborar e aprender a cozinhar vegano! Para cozinhar e montar a sala basta aparecer a partir das 18h. Jantar “servido” a partir das 20h.
– Um projecto autónomo e auto-sustentável. As receitas do Jantar Popular representam o fundo de maneio do GAIA que mantém assim a sua autonomia.
– Um jantar onde ninguém fica sem comer por não ter moedas e onde quem ajuda não paga. O preço nunca é mais de 3 pirolitos.
– Um exemplo de consumo responsável, com ingredientes que respeitam o ambiente, a economia local e os animais.
– Uma oportunidade para criar redes, trocar conhecimentos e pensar criticamente.

Convocatória aos sócios para Assembleia Geral

Convocatória

Ao abrigo dos art. 15º e 16º dos nossos estatutos, convocam-se todos os sócios da associação GAIA – Grupo de Acção e Intervenção Ambiental para uma Assembleia Geral Ordinária a realizar no dia 12 de Fevereiro de 2017, pelas 10 horas, na sede da associação, sita na Rua da Regueira, número 40, em Lisboa, com a seguinte ordem de trabalhos:

Ponto 1 – Apresentação e votação do Relatório de Contas de 2015
Ponto 2 – Apresentação e votação do Relatório de Actividades de 2016
Ponto 3 – Apresentação e votação do Plano de Actividades para 2017
Ponto 4 – Outros assuntos

Não estando presente à hora marcada o número mínimo de sócios para iniciar a deliberação, a Assembleia Geral reunirá meia hora depois, em segunda convocatória, com os sócios presentes.

Lisboa, 3 de Fevereiro de 2017

A Presidente da Mesa da Assembleia Geral

Rita Queiroga Bento

Morar Em Lisboa – Carta Aberta

AO GOVERNO, AOS DEPUTADOS, AO MUNICÍPIO, AOS CIDADÃOS!

É cada vez mais difícil morar em Lisboa. Ao longo dos últimos anos assistimos a uma alteração profunda das dinâmicas habitacionais nas áreas metropolitanas do país. Uma drástica subida dos valores do arrendamento de habitação que tem levado à expulsão de população das áreas mais centrais da cidade, em conjunção com uma queda abrupta da oferta e com um aumento exponencial dos valores para aquisição de casa própria, tornaram o acesso à habitação em Lisboa privilégio de poucos e direito praticamente inacessível às famílias portuguesas.

Nos últimos três/quatro anos, os preços da habitação para arrendamento aumentaram entre 13% e 36%, e para aquisição subiram até 46%, consoante as zonas da cidade, de que resulta, estima-se, uma taxa de esforço com a habitação situada entre 40% e 60% do rendimento familiar, quando os padrões comuns aconselham uma taxa de esforço até 30%.

Os Signatários, reunidos nesta Carta Aberta expressam a sua profunda preocupação com esta situação, fruto do processo de gentrificação, associado e acelerado pelo pico de projeção internacional e por uma grande intensificação do turismo e do alojamento para fins turísticos que Lisboa atravessa, com a consequente pressão e especulação fundiária e imobiliária.

Consideram que para este processo tem contribuído decisivamente a intervenção do Estado, pelo desenho e uso de instrumentos legais e financeiros destinados ao apoio do investimento privado no mercado imobiliário, em particular a “Lei do Arrendamento”, a “Lei dos Residentes Não Habituais” e dos “Visa Gold”.

O Novo Regime de Arrendamento, promulgado em 2012, imposto pela Troika e subordinado aos interesses da propriedade, veio liberalizar ainda mais o arrendamento, aumentar o poder dos senhorios, atualizar excessivamente as rendas e facilitar os despejos, levando à expulsão de muitos habitantes e ao encerramento de atividades económicas, sociais e culturais.

O “Regime Fiscal para Residentes Não Habituais” e o “Golden Visa Portugal” (Visto de Residência para os chamados Investidores) por sua vez, contribuíram significativamente para a intensificação da especulação imobiliária. O primeiro é destinado a cidadãos europeus comunitários com capacidade económica elevada. O segundo é destinado a cidadãos de outros países e autoriza-lhes residência para exercerem atividades de investimento, nomeadamente a transferência de capitais, criação de emprego e compra de imóveis. Em ambos os casos beneficia os cidadãos estrangeiros com grandes reduções e mesmo isenções de impostos, introduzindo desigualdade entre estes beneficiados pelas promoções e saldos fiscais e os residentes permanentes, portugueses ou estrangeiros, que não têm quaisquer benefícios fiscais.

Esta subida dos preços da habitação tem ocorrido em quase todo o país. Tal facto já alarmou o Fundo Monetário Internacional que alertou para o risco de nova bolha imobiliária e para mais endividamento público e privado. Sabemos que a Organização das Nações Unidas considera a habitação uma urgência global na luta contra as desigualdades e lançou a Nova Agenda Urbana. A função social da habitação e o direito à habitação, previsto na Constituição e na Lei são, para nós, questões da maior premência.

A nível da cidade de Lisboa a manter-se a oferta insuficiente e a excessiva subida nos preços na habitação – exponenciada no centro histórico e a alastrar por toda a cidade – continuaremos a assistir à perda de população, ao despovoamento, ao decréscimo dos jovens, ao fenecimento de múltiplas comunidades que dão cor e vida à cidade. A prática que está a ser seguida pelo Governo e pelo Município mostra-se contraditória, e mesmo inversa ao discurso oficial, porque não é concordante com as necessidades de uma cidade capital, que se pretende habitada, plural e diversificada, uma cidade para ser vivida por todos e não apenas aceleradamente consumida por alguns.

Os Signatários, reunidos nesta Carta Aberta, expressam a sua profunda preocupação com a atual política habitacional que está a aprofundar as desigualdades socio-territoriais, a expulsar um grande número de famílias para as periferias e a tornar o acesso à habitação nas áreas centrais das cidades um privilégio dos mais ricos, a gerar desequilíbrios urbanos e a potenciar conflitos sociais, que é negativa para o desenvolvimento económico por ser excessivamente dependente da especulação imobiliária e do turismo.

Reconhecemos e não questionamos a importância e o interesse estratégico da Indústria do Turismo para a economia do país e da cidade. Sublinhamos que a atividade turística não pode decorrer de uma situação meramente conjuntural, devendo ser planeada sob uma visão sustentável e integrada. Entendemos que o risco de uma carga turística desregrada, intensa e tendencialmente excessiva, e a exploração intensiva e não planeada de um território, são geradores de insustentabilidade e, a curto prazo, podem mesmo revelar-se destruidores.

Consideramos inadiável que se regre, se controle e se equilibre o uso temporário e de curto prazo da habitação para efeitos turísticos e se apoie e se dinamize o alojamento permanente.

Fazemos notar que noutras cidades, na Europa, nos Estados Unidos e no Canadá, se vivem situações idênticas mas onde os respectivos governantes tomaram já medidas diversas em defesa da vida das cidades e dos cidadãos.

Os Signatários consideram indispensável a adoção urgente de uma política nacional e municipal de habitação que favoreça e dinamize o arrendamento, público e privado, com direitos e deveres, com segurança e estabilidade, incentive a colocação no mercado de propriedades devolutas (incluindo o património do Estado e dos Municípios), estabeleça parcerias diversas com os setores privado e social, crie mecanismos de controlo das rendas através de uma política fiscal adequada tendo em conta a função social do arrendamento e dificulte e impeça os despejos sem assegurar o realojamento dos residentes.

Entendemos que é necessária uma nova política de habitação e de ordenamento do território, uma Lei de Bases da Habitação, uma política fiscal diferenciadora dos vários usos da habitação.

Declaramo-nos empenhados na intervenção cívica, na discussão e elaboração de propostas com vista a uma política pública transparente e colaborativa, acompanhada e participada pelos cidadãos, e a criar uma plataforma com vista a juntar vontades, ideias e dinâmicas.

Consideramos urgente lançar um outro paradigma de desenvolvimento de Lisboa como um território partilhado, socialmente diversificado, dando prioridade ao equilíbrio económico e social, à igualdade e coesão, ao acesso à habitação, à multiplicidade de usos, ao espaço público, à mobilidade, à conservação do património, à promoção da cultura e do desporto, à convivência cívica e à participação cidadã.

Consideramos urgente e imprescindível colocar e manter na primeira linha da agenda política nacional o tema da HABITAÇÃO.
Gentrificação: Processo de valorização imobiliária de uma zona urbana, geralmente acompanhada da deslocação dos residentes com menor poder económico para outro local e da entrada de residentes com maior poder económico.

Janeiro de 2017

 

Os signatários

ORGANIZAÇÕES
Academia Cidadã
ACCL – Associação das Colectividades do Concelho de Lisboa
AIL – Associação dos Inquilinos Lisbonenses, CRL
AMBA – Associação de Moradores do Bairro Alto
APPA – Associação do Património e da População de Alfama
APRUPP – Associação Portuguesa para a Reabilitação Urbana e Defesa do Património
Artéria – Humanizing Arquitecture
Associação Habita – pelo Direito à Habitação e à Cidade
Associação Renovar a Mouraria
Atelier Mob – Arquitectura Design e Urbanismo, Lda.
BADL – Bairros Associação de Desenvolvimento Local
Cooperativa Trabalhar com os 99%, Crl
FAZ – Fundo de Arquitectura Social
FrameColectivo
GAIA – Grupo de Acção e Intervenção Ambiental
GEOTA – Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente
GESTUAL – Grupo de Estudos Sócio-Territoriais, Urbanos e de Acão Local da Faculdade de Arquitectura da Universidade de Lisboa
Largo Residências
LeftHandRotation
Lusitano Clube
Movimento “Quem vai poder Morar em Lisboa”
Pátio Ambulante
Sociedade Boa União