Category Archives: Empregos pelo Clima

A Campanha “Empregos para o Clima” privilegia a construção de um movimento de bases sobre o trabalho de lóbi junto dos negociadores do clima. Acreditamos que a justiça climática é alcançada através de uma abordagem de baixo para cima, capacitando as pessoas e convidando-as a envolver-se nas acções locais e a participar directamente nos processos de tomada de decisão. Acreditamos que a participação dos trabalhadores é crucial na transição para uma economia solidária e ecológica. Concordamos por isso em construir pontes para as organizações sindicais

Lançamento do relatório: “Empregos para o Clima” em Portugal

A Campanha internacional “Empregos para o Clima” existe em Portugal desde 2015 e conta com o apoio de várias organizações cívicas, sindicais e ambientais.

Ao longo do último ano a campanha contou com a colaboração de vários académicos e ativistas para elaborar um relatório sobre os empregos necessários para a transição energética em Portugal.

Que empregos? Em que setores? Com que custos? Que transição? A publicação foca-se nestas e outras questões, avançando a estimativa global de 100 000 novos empregos para reduzir as emissões poluentes de Portugal em 60-70%, em 15 anos.

O lançamento do relatório “Empregos para o Clima” terá lugar amanhã, dia 19 de outubro(quinta-feira) pelas 19h no auditório do CES- Lisboa (Picoas Plaza), e contará com a presença de:

Manuel Carvalho da Silva – CES-Lisboa (comentador)
Ana Delicado – Instituto de Ciências Sociais, UL (oradora)
Américo Monteiro – CGTP-IN (orador)
Ana Mourão – Climáximo (moderadora)

Quinzena de Ação “Jogam com as Nossas Vidas” – 24 de outubro a 6 de novembro

Os donos deste sistema socioeconómico são apostadores de altíssimo risco. Na cobiça do lucro, arriscam quase tudo. E as fichas deste jogo, que arriscam em apostas cada vez mais altas, somos nós.

Todos os dias, as suas apostas erodem o nosso sentido de dignidade, segurança, saúde, justiça, esperança. Todos os dias, encurralam cada vez mais pessoas abaixo do limiar da pobreza, em regimes de trabalho precário e perigoso, ou desemprego perene, ciclos de penhoras e despejos, exclusão e imobilidade social, desigualdades galopantes. Tudo para continuar o jogo. Todos os dias, atacam o nosso direito a existir, e o das gerações vindouras, ao precipitarem o nosso sistema climático num inferno de secas, tempestades e fogos florestais. Tudo para continuar o jogo. Todos os dias, encontram novas formas de perpetuar as suas apostas, de extrair as vísceras da terra, enquanto salvam os bancos, as bolsas e os mercados de apostas, tudo para continuar o jogo.

Todos os dias, jogam com as nossas vidas.

É hora de jogarmos também – para inverter o jogo deles.

A campanha Empregos para o Clima convoca uma quinzena de ação pela justiça social e climática, de 24 de outubro a 6 de novembro, em todo o país. Traz a tua organização ou coletivo às ruas esta quinzena, para jogos/ações/protestos contra a precariedade laboral e ambiental, pelo emprego digno e um futuro sustentável! Reserva esta data.

Contacto: contacto@empregos-clima.pt

O GAIA apoia a Campanha “Empregos para o Clima” em Portugal

Nos últimos meses, a Campanha “Empregos para o Clima” tem sido discutida e articulada entre movimentos sociais, sindicatos e diversas instituições e organizações. O GAIA – Grupo de Acção e Intervenção Ambiental, apoia esta campanha. Aqui podem saber porquê e como.

A dimensão do decrescimento
 
Por decrescimento, entendemos a dissociação ideológica do crescimento económico e a prosperidade social. Não defendemos o decrescimento económico como fim em si, defendemo-lo antes de mais como uma ferramenta para desconstruir as noções capitalistas de riqueza, para defrontar a lógica de acumulação das corporações que privatizam o lucro enquanto externalizam os custos sociais e ambientais, e para indicar um caminho para um mundo melhor com abordagens alternativas como o buen vivir, a agro-ecologia, a soberania alimentar e a democracia energética.
Nos últimos anos vivemos um decrescimento económico descontrolado que nos foi imposto. Esta contracção na economia trouxe miséria para os pobres e empurrou muitos outros para debaixo do limiar de pobreza. Foi um decrescimento desigual onde a maioria das pessoas ficou pior enquanto os ultra-ricos continuaram a acumular riqueza. Hoje, uma em cada quatro crianças em Portugal vive abaixo do limiar de pobreza. Denunciamos esta situação e reclamamos comida, habitação, educação e serviços de saúde para todos e todas, independentemente do contributo que essas actividades trazem para a economia.
A Campanha “Empregos para o Clima” pede a criação de empregos no sector público para conduzir a transição urgente para uma economia social- e ecologicamente sustentável e equilibrada. Ao considerar os empregos climáticos como uma necessidade social e planetária em vez de entregar esta transição aos mecanismos de mercado, a campanha toma uma posição clara contra o discurso de crescimento.
Para além do passo acima, de forma a alcançar os cortes necessários nas emissões de gases com efeito de estufa, é preciso repensar as actividades produtivas humanas, como por exemplo torná-las mais locais e reduzindo a sua escala e consequente impacto nos nossos recursos comuns, tornar a distribuição mais lógica e mais justa, e reduzir significativamente o consumo sistémico. Este trabalho de fundo será defendido na campanha.
A dimensão da democracia directa
 
A Campanha “Empregos para o Clima” privilegia a construção de um movimento de bases sobre o trabalho de lóbi junto dos negociadores do clima. Acreditamos que a justiça climática é alcançada através de uma abordagem de baixo para cima, capacitando as pessoas e convidando-as a envolver-se nas acções locais e a participar directamente nos processos de tomada de decisão. Acreditamos que a participação dos trabalhadores é crucial na transição para uma economia solidária e ecológica. Concordamos por isso em construir pontes para as organizações sindicais.
Ao mesmo tempo, a democracia energética implica também o controlo da comunidade. Esta comunidade deve incluir todas as pessoas impactadas, tanto as pessoas que consomem ou precisam de consumir como as pessoas que produzem ou ajudam a produzir. Isto significa que precisamos de processos de organização e decisão horizontais tanto no interior da campanha como na sociedade, e defenderemos esta abordagem.
Uma revolução em curso
 
Concordamos que é urgente agir para travar as alterações climáticas. Consideramos que o modelo económico capitalista é a causa principal da crise climática. Sabemos que a presente luta deve ser travada durante as nossas vidas úteis. O aquecimento global apresenta o maior desafio que a humanidade alguma vez enfrentou. Para ganhar uma luta desta escala, precisamos de nada mais nada menos do que um movimento de massas.
Consideramos que a inteligência política é produzida através da acção e da interacção, não com livros ou artigos. Sabemos que a Campanha “Empregos para o Clima” não é uma receita que resolveria todos os nossos problemas uma vez que cheguemos a um consenso. Em vez disso vemos esta campanha como uma oportunidade de nos ouvirmos, de ligarmos as nossas lutas e de construirmos uma verdadeira solidariedade.  Como todas as revoluções, a Campanha “Empregos para o Clima” é um trabalho em progresso que precisa da criatividade e capacidade de colaborar de todas as pessoas.