Primeiro dia da visita: Conhecer os territórios dos Guarani e Kaiowa

Tekoha é uma palavra da língua Guarani que pode ser traduzida por aldeia e que para o povo Guarani significa ‘o local onde está o nosso sistema de vida’.

A 23 de Agosto, o primeiro dia da nossa visita às aldeias Kaiowa, Celso, o nosso guia Kaiowa, levou-nos ao território indígena Panambi, um dos territórios perto da cidade de Dourados, Mato Grosso do Sul, Brasil.

Nesse território visitámos a Tekoha Gurya Kambi’y e a Tekoha Ita’y Ka’aguyrusu. Fomos recebidos em ambas as comunidades com um Guashire, a dança tradicional sagrada que aporta bençãos de alegria e boa-aventurança para o caminho de vida a quem se dirige e a quem nela participa.

As lideranças da aldeia, ou seja, os caciques (líderes políticos) e nhanderus e nhandecis quando são mulheres (líderes espirituais, curandeiros, xamãs) explicaram-nos a história da resistência contra os ataques dos ‘jagunços’ (paramilitares) armados desde que começaram a fazer as retomadas de terras indígenas em 2007*.

A população indígena não dispõe de armas de fogo e foge sempre que são atacados. Os outros dois territórios indígenas perto da cidade de Dourados, na região de Mato Grosso do Sul, são Panambizinho e Jaguapiru (Guarani, Kaiowa e Teren), e são reservas reconhecidas pelo governo.

23 de Agosto—Sara Baga, Observadora da Rede Europeia de Apoio ao Povo Guarani Kaiowa em Mato Grosso do Sul, Brasil.

*As retomadas são, historicamente, uma forma de pressionar o governo federal para acelerar os processos de reconhecimento dos territórios Guarani Kaiowá e Ñandeva no sul do estado. 

Este cacique (líder político) também é nhanderu (líder espiritual), excelente combinação porque a tradição espiritual de conexão ao coração da terra sustenta a luta destes povos.

 

 

 

 

Sara Baga com Dani, uma jovem liderança mulher, filha do líder da comunidade e que já faz parte da nova geração de lideranças femininas Kaiowa que começam a surgir.

Grupo de Acção e Intervenção Ambiental