3º dia da visita de observação: a retomada Kurusu Amba

A Delegaçao Europeia de Observadores dos Guarani Kaiowa visita a terra “retomada” de Kurusu Amba, Mato Grosso do Sul, no Brasil.

Aqui vivem 300 pessoas. Estamos a apenas 10 km do Paraguay. É uma zona perigosa, batida pelo narcotráfico e com uma grande concentração de latifundiários.

A escola Criança Resistente não está ainda em funcionamento porque ainda não tem professores. Para aqui chegar desde a aldeia mais proxima a caminhada tarda três horas, pelo que actualmente as crianças que vivem na retomada se levantam às 3 da manhã para sairem de casa e irem para a escola mais próxima.

A assistência de saúde chega apenas uma vez por semana e os ataques com tiroteios são constantes. Quatro das pessoas da assembleia em que estivemos presentes mostraram nos feridas no corpo.

A comunicação com o exterior é difícil a todos os níveis. A comunidade indígena que estabeleceu esta retomada de terra indígena aos latifundiários já foi expulsa três vezes e três vezes regressou ao local que vigorosamente defendem como sua terra ancestral por direito.

O caminho de terra vermelha para aqui chegar apenas permite ser atravessado por jipes 4×4, e a comunidade não dispoe de muitos meios de transporte. Ficámos atolados duas vezes durante o caminho e sabíamos que tínhamos de sair da aldeia antes de chegar a noite de modo a conseguirmos atravessar a estrada de terra em segurança.

25 de Agosto 2017—Sara Baga, Observadora da Rede Europeia de Apoio ao Povo Guarani Kaiowa em Mato Grosso do Sul, Brasil.

Grupo de Acção e Intervenção Ambiental