
A multinacional Nestlé contratou os serviços da Securitas para
infiltrar agentes desta empresa no grupo de trabalho que preparava um
livro sobre os aspectos mais obscuros do funcionamento daquela
multinacional. A espionagem durou um ano e a polícia local teve
conhecimento do que se passava. O escândalo rebentou com uma reportagem televisiva.
A agente infiltrada pela Securitas entre o verão de 2003 e o de 2004
fazia o ponto da situação nesta empresa de segurança, que por sua vez
informava o cliente. Mas ela chegou a reunir pessoalmente com o
responsável pela comunicação da Nestlé e com o seu chefe de segurança.
O jornal "El Mundo" diz que a Nestlé gastou mais de 65 milhões de euros nesta operação de espionagem.
Depois de contactar a organização que luta contra o poder das
multinacionais e dos mercados financeiros, agente da Securitas fez
parte do grupo de trabalho sobre as multinacionais, integrand depois o
grupo mais restrito que elaborava um livro ("Attac contre l'Empire
Nestlé", publicado em 2004).
O trabalho da ATTAC publicado neste livro abordava a acção da Nestlé na
sua relação com os OGM, a privatização da água, os sindicalistas e
trabalhadores envolvidos em lutas laborais na empresa, incluindo países
como a Colômbia, onde os direitos humanos ficam à porta das empresas.
A polícia e a Securitas justificam a infiltração com as circunstâncias
particulares da cimeira do G-8 em Evian, embora o período de duração
desta espionagem tenha ocorrido já depois da cimeira. A ATTAC/Suíça apresentou queixa nos tribunais após a reportagem ter sido emitida na televisão.
Fonte:Esquerda.net
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