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DePara


Artigo do site do GAIA (http://gaia.org.pt)

Agrocombustíveis só são economicamente viáveis com apoios públicos

O apoio estatal à produção de biocombustíveis "é caro, tem um efeito limitado na redução dos gases de efeito de estufa e no aumento da segurança energética, e tem um impacto significativo nos preços dos cereais em todo o mundo", diz o estudo apresentado esta quarta feira pela OCDE.

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico analisou as políticas que querem promover o uso de biocombustíveis nas próximas décadas e calcula que só nos EUA, UE e Canadá, a dependência dos apoios públicos para assegurar a viabilidade dos biocombustíveis irá custar 16 mil milhões de euros em 2015, enquanto em 2006 já custava 7 mil milhões. Este estudo diz também que os subsídios atribuídos fazem com que cada tonelada de carbono evitada pelos biocombustíveis custe entre 600 e 1070 euros, quando, no mercado, está a 26 euros.

O relatório da OCDE aconselha os governos a promoverem políticas para reduzir o consumo de energia, em particular no sector dos transportes. E que promovam também a investigação sobre a segunda geração de biocombustíveis, que não envolva o recurso a bens alimentares.

Além disso, o estudo salienta que os resultados desta arma de combate às alterações climáticas, primeira razão para a aposta nos biocombustíveis, são limitados. A excepção é o etanol brasileiro que permite reduzir as emissões em 80 por cento quando comparado com os combustíveis fósseis. Já os que são produzidos a partir de cevada, beterraba sacarina ou óleos vegetais permitem uma poupança entre os 30 e os 60 por cento, enquanto o etanol a partir do milho (caso dos EUA) apresenta performances abaixo dos 30 por cento. Para a OCDE, a continuação destas políticas reduziria as emissões nos combustíveis utilizados para transporte em valores menores que 0,8% em 2015.

Quanto ao impacto dos biocombustíveis no preço dos bens alimentares nos próximos dez anos, com as actuais medidas de apoio estatal, a OCDE calcula um aumento de 5% no preço do trigo, 7% no milho e 19% nos óleos alimentares.

Fontes: Esquerda.Net e Publico.pt