Apesar
de a Assembleia Municipal de Monforte ter aprovado por unanimidade em
Fevereiro deste ano a criação de uma Zona Livre de Transgénicos, o
Governo, através do Ministério do Ambiente, acaba de aprovar a
realização de três anos de ensaios de milho geneticamente modificado
para o concelho. Isto representa desrespeito pela decisão democrática
do poder local e desprezo pela zona de Rede Natura onde tais
experiências irão ter lugar.
Por isso, ambientalistas e
agricultores, para além da população de Monforte, juntam-se hoje à
porta da herdade em causa para exigir, com a ajuda de uma "brigada de
biossegurança" composta por várias dezenas de espantalhos — a figura
tradicional que melhor protege os campos — que seja cancelada a
autorização para fazer de Monforte uma cobaia à escala nacional.
De
facto, já desde 2005 que as empresas Pioneer e Syngenta tentam levar a
cabo estes ensaios. Mas, de Ponte da Barca a Rio Maior, os municípios
têm-se mostrado frontalmente contra tais testes no seu território. A
esta atitude não será alheio o facto que as duas empresas têm um longo
historial de contaminação da agricultura europeia com transgénicos, que
já afectou agricultores em Itália, Áustria, Alemanha, Eslovénia,
Croácia, Espanha...
Num momento em que os principais
produtores europeus de cereais (França, Polónia e Hungria) proibiram o
cultivo de milho transgénico no seu território, não faz sentido
economicamente, é imoral, e põe em causa toda a imagem verde e natural
do concelho e o seu respectivo potencial turístico, uma aprovação cujo
objectivo é permitir a aplicação de mais herbicidas num país que já
sofre de excesso de consumo de agroquímicos.
Para mais informações: Nuno Sequeira, 90 010 7080

A Plataforma Transgénicos Fora é uma estrutura integrada por doze entidades não-governamentais da área do ambiente e agricultura (ARP, Aliança para a Defesa do Mundo Rural Português; ATTAC, Associação para a Taxação das Transacções Financeiras para a Ajuda ao Cidadão; CAMPO ABERTO, Associação de Defesa do Ambiente; CNA, Confederação Nacional da Agricultura; Colher para Semear, Rede Portuguesa de Variedades Tradicionais; FAPAS, Fundo para a Protecção dos Animais Selvagens; GAIA, Grupo de Acção e Intervenção Ambiental; GEOTA, Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente; LPN, Liga para a Protecção da Natureza; MPI, Movimento Pró-Informação para a Cidadania e Ambiente; QUERCUS, Associação Nacional de Conservação da Natureza; e SALVA, Associação de Produtores em Agricultura Biológica do Sul) e apoiada por dezenas de outras. Para mais informações contactar info [em] stopogm [dot] net ou www.stopogm.net
Mais de 10 mil cidadãos portugueses reiteraram já por escrito a sua oposição aos transgénicos.
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