Através da Agência Portuguesa do Ambiente, o Ministério do Ambiente
acaba de autorizar a realização de ensaios experimentais com milho
geneticamente modificado (dos tipos 98140 e GA21) solicitados pelas
empresas Pioneer e Syngenta para Monforte e Ferreira do Alentejo.
O
terreno experimental de Monforte localiza-se numa área classificada
pertencente à Rede Natura 2000: trata-se da Zona de Protecção Especial
de Monforte criada pelo Decreto Regulamentar 6/2008 especificamente
para a protecção de aves estepárias, aves essas que usam as culturas de
cereais para se alimentarem e nidificarem. Assim o milho geneticamente
modificado vai entrar na alimentação das aves que têm estatuto de
protecção o que, não sendo ilegal, é ilógico e imoral.
A saúde
humana também está em causa com estes testes devido à apicultura,
abelhas e colmeias. De acordo com um estudo científico de
investigadores portugueses* uma abelha pode atingir zonas a mais de 5
km e uma única colmeia pode abranger uma área de 113 km2. Como tal o
mel produzido a vários quilómetros de distância dos ensaios pode conter
quantidades consideráveis de pólen transgénico o que, para o caso do
milho 98140 que não está estudado nem autorizado para consumo humano ou
animal, é totalmente ilegal.
A democracia também sai a perder com
estas autorizações. Os ensaios são aprovados contra a vontade expressa
dos órgãos municipais de Monforte, que se opuseram unanimemente à sua
realização tanto em sede de Executivo Municipal quanto em Assembleia
Municipal. Esta última aprovou também, igualmente por unanimidade, a
criação de uma Zona Livre de Transgénicos em Fevereiro do corrente ano.
A legalização do cultivo de milho transgénico num concelho declarado
Zona Livre deita por terra a miragem veiculada oficialmente de que a
Portaria das Zonas Livres (904/2006) tinha finalmente regulamentado o
direito à escolha das autarquias locais.
Em Ferreira do Alentejo,
por outro lado, não se cumpriram as regras básicas da consulta pública
que precedeu esta autorização do Ministério visto que, mais do que uma
vez, foi comprovado telefonicamente que a Câmara Municipal não tinha
disponível a documentação prevista.
Com estas autorizações o
Ministério do Ambiente mostra que dá mais importância aos interesses
comerciais de duas grandes multinacionais da engenharia genética do que
à protecção da saúde e ambiente portugueses. Porque será?
--
* Vide Sabugosa-Madeira et al (2007) Journal of Apicultural Research 46(1):57-58.
Comentários recentes
5 horas 41 minutos atrás
21 horas 24 minutos atrás
1 dia 1 hora atrás
1 dia 22 horas atrás
2 dias 3 horas atrás
2 dias 23 horas atrás
4 dias 4 horas atrás
4 dias 11 horas atrás
2 semanas 5 dias atrás
2 semanas 6 dias atrás