O novo Ministro da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas, António Serrano, manifestou ontem, pela primeira vez desde o início do seu mandato, o seu apoio aos cultivos transgénicos. Numa falácia típica, o Ministro considerou que os cultivos geneticamente modificados irão desempenhar um papel fundamental na adaptação às alterações climáticas e à crescente população mundial. Nem uma palavra parece ter ido para a importância da preservação das variedades tradicionais e de uma elevada biodiversidade agrícola - fortemente ameaçadas pelos cultivos transgénicos - na adaptação a alterações do clima.
Professor catedrático na Universidade da cidade alentejana, o sucessor de Jaime Silva é um gestor, que já passou pelo Gabinete de Planeamento de Política Agro-Alimentar do ministério e é vogal da Comissão Directiva do Programa Operacional do Alentejo do QREN.
Na sessão de abertura da 1ª Conferência Ibérica de Viticultura e Enologia, dominada pelo tema do aquecimento global, o ministro da Agricultura, António Serrano, alertou para a necessidade de adoptar novas práticas e variedades agrícolas para enfrentar as alterações climáticas, admitindo que os organismos geneticamente modificados vão desempenhar um papel relevante neste campo. "A produção de alimentos é um problema sério e que tem vindo a provocar que se produzam cada vez mais variedades de Organismos Geneticamente Modificados (OGM). Este é um caminho em que se têm criado algumas barreiras, mas temos de encontrar forma de produzir alimentos para um crescimento populacional que é inexorável".
António Serrano frisou que a investigação científica e tecnológica pode dar um contributo importante aos agricultores, ajudando-os na concepção de novas práticas agrícolas, novas formas de produzir e novas variedades "mais amigáveis e mais sustentáveis do ponto de vista ambiental e que garantam a sobrevivência das populações".
"Há uma espécie de barreira à entrada [na União Europeia] de variedades geneticamente modificadas que já estão espalhadas pelo mundo inteiro", acrescentou o governante, apontando regiões como a Índia, China e Brasil, onde estão a ser produzidos OGM, sobretudo cereais e arroz. "É uma área que vai trazer certamente novidades nos próximos anos", antecipou.
Portugal cumprirá o que for determinado a nível europeu, já que é a União Europeia que define quais as variedades de OGM autorizadas. "Não temos grande alternativa", afirmou o ministro.
António Serrano salientou ainda que o impacto das alterações climáticas na produção alimentar é um tema que "preocupa investigadores e ministérios de todo o mundo" face à redução da área cultivável e ao previsível aumento populacional, estimando-se que possa atingir sete mil milhões de pessoas dentro de 50 anos.
Fontes: Público.pt e Lusa
Comentários
querem uma sociedade
querem uma sociedade controlada sobe a retorica dos factos consumados ... estão a brincar com a natuereza e nem ele fazem ideia no que estão a meter-nos as multinacionais da agroquimica e as PATENTES experiencias genéticas imprevisiveis. Já comemos mutantes de laboratório sem sabermos....
Ao menos o direito a informação e á escolha... onde está o vosso mercado de livre concorrêcia se somos obrigados a comer a trampa que vocês se lembram de inventar? Lembram-se das raçoes carnivoras para o gado? Deu na doença das vacas loucas que lesou alem dos animais milhares de pessoas... no entanto os governates de então disseram que tais raçoes não tinham consequencias algumas....
Transgénicos
Continuando com ministros assim, não vamos mesmo longe.
A ignorancia ciêntifico do classe político
Este ano saiu a versão final do International Assessment of Agricultural Knowledge, Science and Technology for Development (IAASTD). Este relatório é para a agricultura o que são os relatórios do IPCC para mudança climatológica, ou seja um documento com imensa autoridade cientifico. Este estude de que demorou 5 anos investigou qual pode ser a contribuição de vários tipos de conhecimento sobre agricultura, ciência e tecnologia. 400 cientistas e parceiros da sociedade civil participaram neste trabalho.
O relatório foi claro, os transgénicos não são uma solução para resolver o fome no mundo. Porque não? Há muitas incertezas associadas no ambito de saúdo humano e impactos ambientais. Mas sobretudo, os transgénicos enforcam um modelo agrícola com impactos socio-económicos desastrosos nos países do sul.
Balanço da história: o novo ministro, um gestor de hospitais, está a comparar assumir uma autoridade no assunto pelo menos igual, se calhar maior, à autoridade dum consenso cientifico de 400 cientistas especializados no assunto. Ele deve mesmo achar que é muito bom! Será que estes 400 cientistas pensam isso também?
Ministro transgénico
O ministro tem razao quando diz que "A produção de alimentos é um problema sério".
Já dizer: " que tem vindo a provocar que se produzam cada vez mais variedades de Organismos Geneticamente Modificados (OGM)" é um argumento que nao pega, porque incompreensívelmente confunde propaganda com investigacao.
Quando diz: "Este é um caminho em que se têm criado algumas barreiras" é verdade, mas as barreiras sao democráticas e reflectem a vontade da maioria da populacao. E ao dizer: "mas temos de encontrar forma de produzir alimentos para um crescimento populacional que é inexorável", espero que nao seja vendendo OGM's, mas sim de forma democrática e esclarecida, e vai ver que a única possibilidade é apoiar a agricultura local e ecológica, ou seja baseada nas variedades locais e no modo de producao biológico, e criar condicoes para uma autonomia alimentar que implica aumentar o número de agricultores.
E quando ele fala de: novas práticas agrícolas, novas formas de produzir e novas variedades "mais amigáveis e mais sustentáveis do ponto de vista ambiental e que garantam a sobrevivência das populações", isto significa precisamente a tal agricultura local e ecológica que é nova porque a revolucao verde, que causou a situacao de calamidade em que vivemos, deverá passar a ser uma velha ideia que nao resultou e ser posta de parte assim como os transgénicos que lhe seguem o rumo.
Quando refere:
"Há uma espécie de barreira à entrada [na União Europeia] de variedades geneticamente modificadas que já estão espalhadas pelo mundo inteiro", apontando regiões como a Índia, China e Brasil, onde estão a ser produzidos OGM, sobretudo cereais e arroz, e "É uma área que vai trazer certamente novidades nos próximos anos".
Isto é porque em certa medida a Europa ainda é um bastiao de civilizacao, cultura e democracia, que ainda vai resistindo ao poder da corrupcao mundialista, opondo-lhe algum humanismo democrático. Espero que as novidades sejam o aumento do humanismo e nao da corrupcao.
Portugal cumprirá o que for determinado a nível europeu, já que é a União Europeia que define quais as variedades de OGM autorizadas. "Não temos grande alternativa", afirmou o ministro.
Temos alternativa: podemos declarar Portugal livre de transgénicos, decretando ao mesmo tempo a proibicao do uso de adubos e pesticidas nao autorizados no modo de producao biológico. Isso sim é que era continuar a dar mundos ao mundo. E de certeza que iria desenvolver a economia e acabar com a crise. Como aconteceu com uma comuna em Franca, Correns, no departamento do Var, em que o presidente convenceu todos os agricultores a converterem-se à agricultura biológica e foi um sucesso.
António Serrano salientou ainda que o impacto das alterações climáticas na produção alimentar é um tema que "preocupa investigadores e ministérios de todo o mundo" face à redução da área cultivável e ao previsível aumento populacional, estimando-se que possa atingir sete mil milhões de pessoas dentro de 50 anos.
Todos os investigadores sérios sao unanimes em afirmar que só a agricultura local e ecológica pode acabar com a fome no mundo.
caixa de Pandora
Eu não tinha a certeza sobre se os argumentos dos que se opõem aos OGMs seriam realistas ou alarmistas, mas depois desta notícia, não me restam quaisquer dúvidas: a contaminação é incontornável. Bastou ao novo ministro sentar-se na cadeira do Jaime Silva para ficar geneticamente modificado. Parece-me altamente preocupante, mas paradigmático de como os transgénicos se propagam.
BEWARE!