Rapazes do bairro cultivam hortas para os vizinhos (Diário Notícias, 12/05/2008)
Arlete
Sousa hesitou durante uns minutos. Gostava de espreitar as hortas que
os rapazes do bairro cultivaram ao pé da sua casa, em Lisboa, mas
também não queria chegar atrasada à procissão da Nossa Senhora Saúde,
no Martim Moniz. "Quando regressar passo por aqui", prometeu ontem a
pensionista de 73 anos, resolvendo assim o seu dilema.
Os "rapazes do bairro" são sete jovens do Grupo Desportivo da Mouraria
e do Grupo de Acção e Intervenção Ambiental (GAIA) que resolveram
ocupar um terreno baldio da freguesia da Graça, com tomates, morangos,
beringelas ou abóboras. "O objectivo passa por fazer uma horta para os
moradores da zona que quiserem cultivar os seus próprios alimentos",
explica Marcos Pais, um dos responsáveis do projecto.
A ideia é simples mas deu algum trabalho. No terreno, entre a rua
Damasceno Monteiro e a calçada do Monte, começam agora a surgir as
primeiras couves galegas, aipos, espinafres, ou beterrabas. Antes
disso, porém, foi preciso obter autorização da câmara de Lisboa,
retirar o lixo, cortar o capim, arrancar as ervas e sulcar a terra.
Tarefas que começaram em Outubro do ano passado e ainda não estão
concluídas.
Houve até plantas e árvores que estavam condenadas à morte mas que na
horta popular da Graça tiveram uma segunda oportunidade. "É o caso dos
pessegueiros e das videiras que estavam em Benfica e com a construção
da CRIL iam ser destruídas", conta Marcos Pais. Mas os membros do GAIA
chegaram a tempo de travar as retroescavadoras e salvar o mini-pomar.
O projecto está encaminhado, mas falta ainda uma parte essencial para
ser bem sucedido - a adesão dos moradores. "As pessoas têm tido algum
receio de se envolverem nesta iniciativa e estão à espera que a horta
entre numa fase mais avançada para começarem a participar", desabafa
Marcos Pais.
Por enquanto, apenas meia dúzia de residentes dos bairros da Graça e da
Mouraria têm na horta popular um talhão onde cultivam as suas
leguminosas. Há, no entanto, muitos mais moradores com vontade de dar
os seus palpites: "Muita gente vai passando por aqui e dando as suas
dicas." António Sanches, de 71 anos, é um deles. Quase todos os dias, o
relojoeiro da Graça inspecciona um a um os legumes e os frutos da horta
popular: "As alfaces precisam de mais água porque estão a perder a
cor", avisa o morador da rua Josefa de Óbidos, que "percebe destas
coisas" porque tem uma "grande horta" em Moimenta da Beira, onde
costuma passar os fins-de-semana.
António Sanches é, aliás, um dos conselheiros de Sofia Figueredo, que
todas as segundas-feiras sai de casa, na Mouraria, para levar o filho
ver as abóboras que semearam em Fevereiro na horta popular da Graça:
"Eu e o meu filho estamos a aprender a cultivar e ainda fazemos alguns
disparates", confessa a moradora de 31 anos, que vai ter de
transplantar as suas abóboras porque semeou-as "demasiado juntas e
agora não têm espaço para crescer".
Nao esqueçam as
e as raparigas? Desde inicio a horta foi sempre dinamizado tal pelo "rapazes" como "raparigas". Também é dificil a dizer que são exactamente 7 jovens que dinamizam isso tudo.
Acho que são involvidos muito mais pessoas já!!!
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