Desde há uma semana que um total de 50 pessoas estão a ocupar um campo experimental de cevada transgénica da Universidade de Giessen. A Universidade está há anos uma das empresas mais envolvida na investigação de OGM, sempre enfrentando resistência criativa e forte.
Uma faculdade não é uma empresa, devem pensar muitos leitores agora.
„Em princípio não, mas como alguns professores daquela faculdade têm as melhores ligações com políticos e empresas de biotecnologia, é difícil acreditar nos seus argumentos“, diz uma das activistas Anti-OGM, que está activa nesta luta desde os anos noventa. Os responsáveis da Universidade dizem estar a investigar dois tipos de cevada geneticamente modificada, cada uma delas contendo 2 transgenes. Um é suposto conferir resistência a um fungo e o outro tem o objectivo de facilitar a digestão da cevada pelas galinhas, tornado a sua alimentação mais barata.
Além da inutilidade de adaptar uma espécie de planta que não é apropriado para alimentar galinhas, não há mercado para a cevada geneticamente modificada no mundo. Este campo experimental aparece como o que é - não um projecto de investigação, mais um teste financiado com meios escassos da Universidade, e quem paga são os impostos dos cidadãos.
Além disso, aparecem os problemas já bem conhecidos: risco de contaminação, pois a cevada é uma planta frequentemente cultivada na Alemanha e usada extensivamente para a produção de cerveja; e riscos para saude dos seres humanos e animais, dada a incerteza dos inúmeros factores envolvidos numa experimentação ao ar livre.
Nos últimos dois anos, activistas já destruíram campos de transgénicos, para enfrentarem um processo tribunal, onde pretendem argumentar a ilegalidade do cultivo de transgénicos. Os processos estão agora a decorrer, acompanhados por uma semana da acção, que inclui manifestações, debates, oficinas sobre transgénicos e agricultura biológica - e acções como a ocupação a semana passada.
„O ano passado tivemos que destruir o cultivo, mas este ano o objectivo é não deixá-los plantar“, diz um activista. Até agora eles estão a conseguir. Vivem em tendas, agrupadas à volta de uma torre grande em tripé, que está fixada ao solo com betão. Comem numa cozinha improvisada, só produtos biológicos ou regionais. Umafaculdade com cursos de agricultura biológica fica perto e por isso pessoas com experiência na área passam pelo o campo, dando explicações mais científicas para os media. A população local também está presente e fornece comida ao acampamento.
A maioria deles apoia a luta, como já o tinha feito no último ano, depois da destruição do campo experimental. Num cartaz, dentro do campo e virado para a estrada nacional pode ler-se:„ Se está contra os OGM, buzine 3 vezes“. Há muito ruído desde foi instalado na rua e até uma carrinha da policia expressou assim a sua posição.
Muitos Alemães estão contra o cultivo e consumo dos OGM e a oposição é crescente. Existe um debate aceso na comunicação social, a par com inúmeros grupos ambientais, associações de agricultores e apicultores que trabalham contra isso. Desde Fevereiro existe uma nova lei para rótulos. Esta lei permite que os consumidores alemães saibam se o leite, o carne, o ovo ou a lecitina de soja no chocolate estão livres de transgénicos.
„ Não é suficiente consumir alimentos livres de transgénicos e escrever cartas para um governo que se recusa a ver que 80% dos alemães estão contra os transgénicos“ acresenta uma activista. No ano passado a Alemanha estabeleceu uma moratória temporária ao milho transgénico MON810, mas acabou por a deitar abaixo este ano. O objectivo do governo é „facilitar as novas tecnologias de transgénicos“
A ocupação eleva a discussão a um nivel mais aprofundado e dificulta as ambições da faculdade. A Policia ainda não despejou o campo e a Universidade já veio afirmar que pretende mudar o campo para os EUA. „Nós queremos uma proibição total e global destas experiências ao ar livre, que fingem ser de investigação, mas que só servem para abrir campo para a aprovação de novas variedades transgénicas, à custados nossos impostos, da nossa saúde e da natureza“
Os activistas prometem não sair até obter uma declaração da Universidade que impeça os cultivos experimentais.
Eles estão com vento em popa. A bandeira da zona livre de transgénicos está a esvoaçar orgulhosa sobre o campo, onde já devia estar plantada cevada geneticamente modificada.
A ideia já inspirou otras pessoas. Na semana passada foi ocupado outro campo experimental no Sul da Alemanha (perto de Estugarda), com recurso a métodos semelhantes.
Se faça neve ou se faça sol, a luta irá continuar...
Comentários
Ocupação na Alemanha de
Ocupação na Alemanha de Sul foi um sucesso.
A segunda ocupação, em Oberboihingen, perto Esturgarda, resoltou hoje num sucesso. O principal da Escola Superior para Economia e Ambiente, anunciou hoje oficialemente, que os cultivos experimentais dos transgénicos no campo da Escola vão parar, pelo menos durante os proximos cinco anos. Alguns dos activistas, até 60 pessoas, ainda querem ficar no acampamento, otras deslocaram-se para Giessen, onde o conflicto ainda não está resolvido e o ocupação continua, hoje já 9 dias.
http://de.indymedia.org/2008/04/212915.shtml
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